Mostrar mensagens com a etiqueta Sociedade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sociedade. Mostrar todas as mensagens

Um mau acordar


Hoje acordei assustada... o silêncio das 7h30 da manhã foi interrompido com berros, gritos, barulhos fortes, insultos e quase de certeza violência física, dos meus vizinhos de cima. E uma frase: Mãe, pai parem por favor!!! Aquele apelo desesperado soava a que não era a primeira vez.
Se fizesse a descrição daquela família diria que são pessoas de bem, com óptimos empregos, bem resolvidas, seguras. Não consigo parar de pensar, que muitas vezes só vemos mesmo as aparências, porque para além delas o cenário é muito duro e a realidade é muito feia.

Irritada

A Helena hoje acordou com o olho esquerdo vermelho e com remela. CONJUNTIVITE. Não dava para ir para a creche. Teve que vir comigo para o trabalho, até o marido chegar a casa. Parece fácil a narração, mas em 35 minutos foi muito difícil organizar tudo.
A minha mãe e a minha avó foram passear á feira de Espinho e não tive o meu habitual apoio de retaguarda;)
 
Entretanto, fui a casa levar a pequena e vejo uma loja do meu prédio, que está a fazer, obras a roubar luz ao condomínio. Educadamente disse aos senhores que não podiam e levo com uma resposta bem torna e mal-educada. É que eu pago NOVENTA E TRÊS EUROS DE CONDOMÍNIO porque o meu construtor nunca pagou as fracções dele. Mais uma vez, para além da crise económica, são os valores. Os valores que não existem. Os valores que fazem com que se utilize a desculpa da crise para tudo, para usar os outros e os roubar á descarada.
Fico lixada! MESMO!

Curiosidade jornalística

Não percebo a necessidade de se contar os pormenores todos de histórias tristes e revoltantes.
Deixei de ver regularmente á algum tempo as noticias na televisão, dou uma vista de olhos diária pelos jornais on-line e chega. Afinal é só crise, desemprego... Basta sair de casa na nossa rotina diária, para perceber claramente a realidade do nosso país.
Se acontecer alguma coisa de muito grave o facebook encarrega-se de me notificar. Mas, claro que há noticias das quais não consigo fugir e que também não consigo simplesmente perceber, como aquela mãe que matou os filhos, aquele massacre nos EUA e tantas outras e aí desligo televisão ou a página da internet.
Mas, senhores há mesmo necessidade de tantas fotografias e pormenores? Isto é jornalismo? ( e não, não estou a confudir com reportagens como "momentos de mudança", "grande reportagem" ou casos de vida).
Esta "curiosidade” jornalística ultrapassa-me.
 

Duas irmãs de 92 e 94 anos morrem amarradas à cama num incêndio


A maior parte da minha família directa tem mais de 60 anos.

Noticias como esta , onde se fala de abandono e solidão de idosos fazem-me ficar com o coração pequenino. Sei que nunca iria permitir que algum deles ficasse nesta situação, tem que haver uma alternativa ao facto de duas idosas terem morrido amarradas à cama (mesmo que fosse por questões de segurança). Ninguém devia morrer só, sem família perto, sem um beijo, sem um obrigado. Penso sempre que estas pessoas já foram filhos de alguém, que desejou mais para os seus filhos que uma morte ao abandono.
Todos os meus avós tiveram os filhos para cuidarem deles. Acho que este é o ciclo de vida. Cuidarmos dos nossos idosos, da mesma forma como cuidaram de nós quando éramos bebés!
No entanto, a vida mudou. Hoje em dia, quase ninguém pode ficar em casa a cuidar dos seus familiares. Precisamos de trabalhar. Apesar desta realidade tenho a convicção que tem que haver uma alternativa aos lares, ao abandono, ao isolamento. Conheço casais de idosos que querem o lar. Os meus idosos não querem! Para além dos meus pais tenho alguns tios e tias solteiras (que são como pais para mim). Não sei como vou fazer, mas no lar nos o vou colocar, isso era ceifar – lhes a vida e isso não! Sei que para eles sempre fui uma prioridade. Quero que sintam que também serão sempre para mim.

Da manifestação de sábado

Falo por mim, ficou uma tristeza enorme. Eu já sabia que havia quase 16% de desempregados, muitos jovens, muitas famílias, muitos na casa dos cinquenta anos; muitos reformados a ajudar os filhos; muitos pais que vêem os filhos a emigrar; muitos empregados que recebem o salário mínimo; muitos descontentes, sem motivação, sem alegria e sem ânimo para enfrentarem o futuro! Mas, no sábado fui olhei-os nos olhos e vi os seus rostos. E isso deixou-me uma mágoa tão grande. Que país é este? Meu não é!
É certo que foi uma manifestação sem memória recente. Que foi pacífica. Que foi um despertar de consciências (que espero que para além de cívicas, sejam também politicas). Mas, quando penso em sábado só consigo ficar triste.
No entanto, recuso-me a aceitar este país. Recuso-me a ter tido uma filha para não a ver ficar adulta e mulher. Quero envelhecer com ela. Quero que se case em Portugal, que tenha filhos e emprego. Quero vê-la a ser feliz junto a mim. É por ela que não admitido este país.
Espero que este Governo assuma que nem sempre os advisers são os melhores conselheiros. Espero que mude de rumo e que para além de incomodado, indisposto e zangado com a manifestação de sábado, também tenha ficado triste. Triste por não saber governar melhor (já que pelas pessoas...) !



Motins em Londres!


Os motins em Londres… considero que centenas nas ruas, a incendiar e a roubar merece uma leitura mais complexa do que um simples “ é violência pura”. Estes cidadãos podem viver à parte da sociedade mas, fazem parte dela, uma sociedade com cada vez mais desigualdades. O Estado Social tem que ser repensado. Não se pode escolher de uma forma tão linear, quem merece ser ajudado e quem não merece.