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O vazio do lado esquerdo da cama

O meu marido esteve 23 dias em casa, devido a ter que gozar férias acumuladas e que bem me soube dormir todos os dias à noite com ele ao meu lado... ainda que de manhã eu saísse para trabalhar e ele ficasse no quentinho
Em sete dias da semana, tenho em apenas dois, a sua companhia e os hábitos solitários instalam-se, como é bom ter a cama só para mim, o que origina a que existam encontrões e empurrões vários... Mas, foi tão bom!
Para mim é um luxo poder dormir com o meu marido. E há tanta gente que não percebe o aconchego que isso dá e a sorte que tem!

Se eu me casasse para o ano...

O meu vestido de noiva, foi comprado na Roda Clará! Sempre adorei esta loja, as rendas, os cortes e a elegância discreta têm tudo a haver comigo. Durante os cinco anos do meu curso passava de autocarro todos os dias pela montra da loja e sonhava... sonhava que se um dia me casasse iria ser ali comprado o vestido. 
Nem fui a outro lado... foi este vestido o escolhido, juntamente com um véu lindíssimo, que espero (secretamente) que a Helena use no dia de casamento (histórias de conto de fada).  Desde sempre soube que o meu vestido tinha que ser assim, em renda com decote em bico, a realçar o decote e simples.

 

Todos os anos vou ver a colecção da rosa clará... continuo a que a renda, dá aquele toque extra de romantismo... por isso as minhas escolhas fogem sempre para este material. Tive a sorte da colecção de 2008 reflectir isso mesmo. A colecção de 2013 nem tanto, mas se fosse casar-me iria optar por um destes modelos:





                          


                          







 O véu....


E já sonhei acordada hoje...

10 anos

Há 10 anos que iniciamos esta viagem!
Há 6 que nos comprometemos para a vida!
Sei que vamos continuar a somar anos e alegrias! Sei que vamos ser ainda muito felizes!




Prometo continuar a investir em nós!



A música com que cortamos o bolo, escolhida uns dias antes do casamento, e que ficou a nossa música!

Love

Nestes últimos tempos só tenho recebido noticias de casamentos, relações em crise, ou porque os homens estão afastados, não se dedicam ao relacionamento, nem às mulheres( e vice versa), ou por traição, ou por desgaste dos anos, and so on,...
É inevitável que pense no meu próprio casamento, este anos fazemos 10 anos de "namoro", onde 4 foram de casamento. Sei que ultimamente não tem sido fácil, eu já lutei muito mais por manter a chama acesa. Já fiz muitas mais surpresas, já manifestei muito mais a minha felicidade, já investi muito mais. Só para terem uma ideia, eu durante o nosso namoro, escrevi n de cartas, nunca obtive resposta. Com o pssar do tempo, fui perdendo a vontade.
O D. aguenta. É calmo, calado, pouco dado a manifestações de carinho ou de amor. Eu entendo, foi criado assim. Mas, sei que ele também sente o afastamento. 
Quero acreditar que é só uma fase, onde nos estamos a habituar à nossa nova família.
Mas, gostava que ele soubesse que detesto ir dormir chateada com ele, que detesto quando me vira as costas, que gostava que fosse ele a planear uma única vez o nosso fim de semana, que gostava de uma surpresa de vez em quando, que me abraçasse mais vezes, que soubesse que ás vezes quando o afasto, lhe digo que estou farta, queria que me calasse com um beijo ...  
Eu sei que ele me ama, mas gostava se sentir isso mais vezes. Há uma expressão em inglês que adoro: sweep off your feet... adoro!!! Era isto que eu queria sentir mais vezes!

Divagações


De tudo o que envolve o nascimento da Helena, o que está a ser mais difícil é o conseguir conciliar opiniões entre mim e o Dinis. Consegui adaptar-me à amamentação, ao acordar de noite, a passar as noites sozinha, a orientar-me de manhã com a bebé ( e a deixar os 3 gatos prontos com comida, água e areia mudada). Estou a conseguir (aos bocadinhos) deixar a minha capa protectora de menina, para vestir uma de mãe. Tento lidar com as oscilações (ou não) de peso, com as neuras hormonais. Procuro fazer a mediação entre a minha mãe (família) e o Dinis. 
Mas, sinto-me a falhar no meu relacionamento. Eu e o Dinis sempre fomos muito diferentes, mas, estas diferenças estão a acentuar-se, agora com a Helena. Eu sempre tive a minha família muito presente, não hã dia que não fale com a minha mãe, antes da Helena nascer ligava à minha avó e tias. Fui sempre muito menininha e talvez um pouco mimada. A minha mãe ficou grávida aos 41 anos e centralizou em mim toda a atenção, tal como as minhas tias solteiras. Nunca tive um comportamento que as deixasse tristes e preocupadas, o meu percurso foi sempre muito linear, escola, faculdade, trabalho, casamento, filha.
Por outro lado, sou muito emotiva, tempestuosa, insatisfeita, sinto a necessidade de explicar as minhas acções ás pessoas de quem gosto e não consigo viver com a sensação de que as posso estar a desiludir. Mudo de opinião facilmente e sou desorganizada. 
O Dinis é muito "terra a terra", objectivo, de ideias fixas. Nunca teve o apoio familiar que eu tive e tenho, e nós os três é que somos a sua família. Aspecto que eu não. Para já, a minha família é a Helena e o Dinis (em termos nucleares), mas também os meus pais, tias e tios (solteiros) e avós.
Se até aqui sempre achei que as nossas diferenças faziam a nossa relação ser mais forte, éramos o meio-termo um do outro; agora acho contrário. Eu gosto tenho uma postura mais descontraída no que toca à Helena, ele confunde isso com não querer saber. Eu gostava que a Helena crescesse livre como eu, a brincar no campo das minhas tias, a imaginar uma casa no "barraco"da lenha, a ver crescer os pintainhos, os coelhos, eu já sei que tudo isto pode significar doenças e infecções, eu sei isso, mas, sei que há o meio termo e com cuidados tudo de pode fazer. Eu fui tão feliz com 30 pessoas nos meus aniversários e natais. Queria que ela também tivesse isso. 
Sinto que estou a ficar desiludida com o meu marido, talvez ele também esteja comigo, noto que a sua paciência não é igual. Há momentos, acções que ficam marcados, como ele não ter deixado o meu pai dar um beijo à Helena quando ela tinha 5 dias, o mau-humor dele quando as pessoas iam visitar a Helena recém-nascida, o não presente para mim, quando ela nasceu (apesar de eu lhe ter pedido vezes sem conta para assinalar o momento) e no meu 1º dia da mãe, o facto de pura e simplesmente se recusar a ir a casa das minhas tias aos domingos (quando durante 4 anos sempre lá fomos religiosamente) por causa de tudo o que a Helena podia e pode apanhar. Há coisas que nos ficam marcadas. Gostava de uma prova de amor, gostava de sentir que ele podia ceder, gostava de o ouvir pedir desculpa e admitir que não é perfeito, e que tentasse ser romântico.